Apontamentos e reflexões sobre temas históricos do passado ao presente...

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Set 12

A 24 de Setembro de 1834, morre, em Queluz, Dom Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, que viria a ser o primeiro Imperador do Brasil, como D. Pedro I e, ainda, o 28.º Rei de Portugal, como D. Pedro IV.

publicado por Conceição Janeiro às 17:19

24
Jul 12
Lições do Professor José Hermano Saraiva sobre o período dos descobrimentos portugueses, iniciado em 1415, até à restauração da independência, face ao domínio filipino, em 1640.

publicado por Conceição Janeiro às 18:52

23
Abr 12

Recurso educativo sobre o Convento de Mafra, disponível no site da Associação de Professores de História.

publicado por Conceição Janeiro às 13:42

04
Abr 12

 

publicado por Conceição Janeiro às 15:59

Transcrevemos do portal O LEME, uma biografia muito completa sobre a rainha D. Maria II, nascida a 4 de abril de 1819.

"Era domingo de Ramos naquele dia 4 de Abril de 1819. Foi com emoção e alegria que o rei D. Pedro IV de Portugal e sua mulher, a arquiduquesa Leopoldina de Áustria, tiveram a sua primeira filha: nascida em terras brasileiras, no palácio da Boavista. Alí vivia a família real, fugindo aos franceses que tinham invadido o reino.
Decerto, alguém se esqueceu de convidar as fadas para o banquete de baptizado, pois esta princesinha, loira como a mãe, de pele muito fina, não teve na pia batismal mais do que um nome pomposo e um título, como se impunha à sua condição de futura rainha – Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Rafaela Gonzaga, princesa da Beira e do Grão-Pará. Mas ninguém pegou na varinha de condão para desejar a esta menina uma vida longa e feliz, sem perturbações nem escolhos.
Na quinta de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, Maria da Glória vai ter uma infância despreocupada e feliz, educada e muito amada pelas camareiras do palácio e pelos pais. Aos 7 anos, essa alegria é interrompida abruptamente com a morte da mãe. O pai será o seu grande amigo e protetor. Nem mesmo os graves problernas políticos que D. Pedro IV enfrenta no Brasil e em Portugal lhe fazem esquecer a sua filha mais velha a quem vai escrever cartas sempre ternas, que terminavam “adeus minha adorada filha...teu saudoso pai que muito te ama D. Pedro”.
Estava-se no ano de 1822 e a nossa princesa contava dois anos e meio quando nas margens do rio Ipiranga se dá o grito da independência do Brasil. Em Portugal, morre, entretanto, D. João VI e seu filho, D. Pedro IV, residente no Brasil, vai ter de optar entre ser imperador do Brasil ou rei de Portugal.
Escolhe o Brasil e, em 1826, abdica do trono de Portugal, em nome da filha, Maria, apenas com sete anos.
Outorga a Carta Constitucional e, simultaneamente, é combinado o casamento da jovem princesa com seu tio D. Miguel, na vã esperança de que em Portugal a paz pudesse triunfar. Mas adivinham-se graves perturbações. Esta menina começa a pouco e pouco a perceber que vai deixar de ser criança e que o seu destino lhe vai impor uma conduta diferente da das outra meninas da sua idade.
Aos 9 anos, é mandada para a Europa, acompanhada pelo marquês de Barbacena, seu tutor, homem de confiança de seu tio D. Pedro, também ele nascido no Brasil, general e diplomata. O destino é a corte de Viena, para ser educada pela avó materna, mulher de Francisco I. Mas, durante o tempo da viagem, D. Miguel, em Portugal, proclama-se rei e o marquês de Barbacena considera mais seguro rumar a Falmouthe e, depois, até Londres. Nesse período, em Inglaterra, havia uma numerosa colónia de portugueses liberais exilados. D. Maria é recebida com entusiasmo em Plymouth. Reinava em Windsor o rei Jorge IV. O duque de Wellington bem como lord Beresford, que, anos antes, tinham comandado os exércitos portugueses ao serviço de D. João VI, vão prestar-lhe as homenagens devidas. Nos seus 9 anos precoces, Maria da Glória diz ao duque de Wellington: “Sei que vós noutro tempo salvastes meu avô; espero portanto que também agora salveis sua neta” e Jorge lV na recepção no palácio vai brindar “à sua jovem amiga e aliada, a rainha de Portugal.”
Sobre D. Maria, escrevia Almeida Garrett, no exílio: “Uma princesa que tem de reinar por si e por seu próprio direito, é fêmea de facto e varão de direito e a educação tem, neste caso, de contrastar a natureza e diminuir quanto é possível a mulher para que só fique a rainha”.
Por motivos de segurança, em 1829, D. Maria teve de regressar ao Brasil. As longas viagens devem ter-lhe dado tempo para meditar na sua vida, na maturidade que lhe era pedida ainda tão nova. E preparava-se para ser rainha, ainda sem saber que o seu reinado seria dos mais terríveis períodos da nossa História, época de radicalismos e constante guerra civil.
Sempre acompanhada da sua fiel camareira, D. Leonor da Câmara, Maria da Glória encontra no Brasil o pai casado pela segunda vez com Amélia de Beauharnais. É esta que se vai incumbir da sua educação, impondo-lhe um horário espartano de estudo. Ela nunca simpatizou com a camareira, amiga e confidente da jovem princesa.
Em Portugal, a agitação é grande e, no Brasil, o seu pai tem também problemas difíceis. Uma vez mais, Maria da Glória vai ter de atravessar o Atlântico, numa prolongadíssima viagem de 93 dias.  Chega a Brest a 11 de Julho e parte depois com o pai e a madrasta para Paris. D. Pedro vai voltar com a filha a Londres, no dia 7 de Agosto. É recebida pelos portugueses exilados políticos que, representados por uma delegação, irão, no dia 15, oferecer-lhe o belíssimo ceptro de ouro onde se evoca a Carta Constitucional. Prenda de enorme significado político e de enorme valor com o qual a rainha se vai deixar retratar em mais de uma ocasião.
Segue depois para Paris, para a corte de Luís Filipe de Orleães, liberal e democrata que apoiava o partido de D. Pedro IV. A princesa e D. Amélia vão ficar hospedadas num palácio perto de Paris.
Para a princesa Maria esta curta estadia vai ser recordada como um dos períodos mais felizes da sua atribulada existência: idas ao teatro, bailes, convivência com os filhos de Luís Filipe, passeios, enfim, uma lufada de ar fresco nestes nove anos de constante vaivém. Será aqui que uma grande amizade irá nascer e durará até ao fim dos seus dias: Clementina, filha do rei, será a sua maior amiga, tendo trocado cartas regularmente. Essa amizade será mais tarde cimentada com o casamento desta princesa de França com um irmão do futuro marido de D. Maria. Dez anos depois, vão encontrar-se as duas em Portugal.
Enquanto D. Pedro IV organiza os apoios para a causa liberal contra o irmão Miguel, vai escrevendo para a filha, acompanhando o seu desenvolvimento intelectual e humano. A princesa tem os mesmos mestres que os infantes de Orleães. Talvez o amor paterno tenha sido um factor importante na futura maneira como a jovem rainha irá ser mãe e educadora. Para alguns historiadores, a rainha terá cometido erros graves como governante, mas são unânimes em lhe reconhecer os dotes de educadora. Daí o seu cognome.

IRMÃO CONTRA IRMÃO

As lutas prosseguem em território nacional entre apoiantes de D. Pedro e de D. Miguel entre liberais e absolutistas. A resistência a D. Miguel tinha na ilha Terceira, onde chegará D. Pedro, o seu quartel-general e a sua bem organizada armada, com dezenas de fragatas e outras embarcações e milhares de homens que vão, a 7 de Julho de 1832, desembarcar no Mindelo, no norte do país. Vai ser o grande dia de triunfo das forças liberais de todo o país.

No ano seguinte, a população de Lisboa vai receber entusiasticamente D. Pedro e o duque da Terceira. É então decidido que o marquês de Loulé vá a Paris buscar a futura rainha, na esperança de que a sua presença seja factor de pacificação dos exércitos rivais. Mas as lutas prosseguem por mais uns meses e só em 26 de Maio de 1834 o vencido D. Miguel vai assinar a capitulação na Convenção de Évora-Monte. A 1 de Junho, parte para Génova para o exílio, sendo-lhe proibido voltar a Portugal.

Tem 15 anos quando sobe ao trono D. Maria II, o 29.º monarca português e a segunda rainha reinante da nossa História. As Cortes reúnem expressamente para proclamar a maioridade da rainha. O seu primeiro ato oficial, em Setembro de 1834, foi conceder a seu pai, já entre a vida e a morte, a Grã- Cruz da Ordem de Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. Foi a própria rainha que lha colocou ao peito, perante a corte emocionada ao presenciar este gesto de justiça e ternura de uma jovem rainha para com aquele que fora muito mais do que rei, muito mais do que imperador, fora o seu grande amigo e protetor. O pai morre poucos dias depois e D. Maria vai perceber que, a partir de agora, só consigo pode contar. Até a sua camareira fora afastada. A madrasta e as tias não lhe oferecem segurança. E vai enfrentar um país dividido em dois. O seu primeiro ministério, presidido pelo duque de Palmela, encontra a oposição das Câmaras. Mas, por agora e por motivos políticos, é prioritário que a rainha se case e dê um herdeiro ao pais. Às rainhas de Portugal estava vedado o casamento com estrangeiros e mesmo na Carta Constitucional de 1836 esse preceito ficara expresso. As Câmaras tiveram, pois, de se reunir para autorizar que a rainha pudesse casar com um estrangeiro.
Dos diversos noivos que lhe estiveram destinados, a madrasta vai-lhe escolher o seu próprio irmão. Fica decidido o casamento com Augusto de Leuchtenberg, neto de Maximiliano da Baviera. A jovem rainha bem teria preferido casar com o duque de Nemours, filho de Luís Filipe de Orleães, que ela conhecia. Mas não lhe era permitido ter opinião, nessa altura. Acima de tudo, os interesses do Estado. Ou dos que a madrasta de Maria representava. Luís Filipe de Orleães vai sentir esta escolha como uma afronta. Não podemos esquecer que a família real francesa tinha recebido D. Pedro, D. Amélia e D. Maria magnificamente, permitindo que D. Pedro organizasse num porto francês a frota que desembarcara no Mindelo e proporcionado à família portuguesa, num momento de crise, uma estadia verdadeiramente de luxo, tendo inclusivamente posto um palácio à sua disposição, com guarda de honra de cavalaria e infantaria, não privando os nobres hóspedes da menor atenção. Ao saber que a mão do seu filho era preterida pela de um príncipe austríaco, Luís Filipe vai ostensivamente demonstrar a sua desaprovação.
O casamento foi celebrado em 28 de Janeiro de 1835 mas o noivo morre de angina dois meses depois. Ainda mal refeita do acontecido, decidem casá-la de novo. O escolhido é Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, casamento negociado pelo conde de Lavradio, ministro dos Negócios Estrangeiros do primeiro Governo Constitucional.

 

Fonte: O Leme

publicado por Conceição Janeiro às 15:28

21
Fev 12
publicado por Conceição Janeiro às 15:47

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