Apontamentos e reflexões sobre temas históricos do passado ao presente...

19
Out 16

 

No site da  Associação Memoshoá encontram-se disponíveis inúmeros recursos para o ensino do Holocausto, em particular uma vasta filmografia sobre o período da II Guerra Mundial e sobre o Holocausto.

 

Ver aqui

publicado por Conceição Janeiro às 14:53

28
Jan 14

A 27 de janeiro comemora-se o Dia mundial em Memória das Vítimas do Holocausto, instituído pelas Nações Unidas em 2005. A escolha do dia não surge por acaso: foi precisamente na tarde de 27 de janeiro de 1945 que o Exército Soviético vitorioso chega a Auschwitz-Birkenau, o maior e o mais mortífero centro de extermínio do III Reich.

 

AUSCHWITZ, LEMBRAR PARA QUÊ?

Ler artigo do Público, da historiadora Esther Mucznik, fundadora da Associação Portuguesa de Estudos Judaicos.

 

Ver também o testemunho de um dos sobreviventes do Holocausto.

 

 

publicado por Conceição Janeiro às 15:19

26
Jan 14

Alemanha, Segunda Guerra Mundial. O menino Bruno (Asa Butterfield), de 8 anos, é filho de um oficial nazi (David Tewlis) que assume um cargo importante num campo de concentração. Sem saber realmente o que o pai faz, ele e a mãe(Vera Farmiga) deixam Berlim e mudam-se para uma área isolada, onde não há muito que fazer para uma criança da sua idade. Os problemas começam quando a criança decide explorar o local e conhece Shmuel (Jack Scanlon), um menino que usava um pijama às riscas e estava sempre do outro lado de uma cerca eletrificada. A amizade cresce entre os dois e Bruno passa, cada vez mais, a visitá-lo, tornando-se essa relação cada vez mais perigosa ....

O filme está disponível (por enquanto) no Youtube.

publicado por Conceição Janeiro às 11:27

19
Jul 12

 

Um livro de Esther Mucznic comentado por Beja Santos:

 Em anos recentes, a bibliografia sobre a questão do Holocausto e os judeus em Portugal veio a enriquecer-se com investigações de inegável interesse: José Freire Antunes em “Judeus em Portugal” recolheu o testemunho de 50 homens e mulheres (Edeline, 2002); Irene Pimentel escreveu o importante “Judeus em Portugal durante a II Guerra Mundial” (Esfera dos Livros, 2006); um investigador com pergaminhos, Avraham Milgram deu à estampa outro livro de grande qualidade “Portugal, Salazar e os Judeus” (Gradiva, 2010). Isto a par de memórias de alguns dos refugiados, como será o caso do impressivo relato de Fritz Teppich “Um refugiado na Ericeira” (Mar das Letras, 1999).
Esther Mucznik, uma estudiosa das questões judaicas, acaba de publicar “Portugueses no Holocausto” (Esfera dos Livros, 2012) que veio trazer luz sobre histórias ainda mal conhecidas do grande público. A autora dedica este seu trabalho a todos os portugueses que morreram no Holocausto, vítimas dos crimes nazis e, entre todos eles, aos descendentes de portugueses expulsos devido à sanha inquisitorial que avassalou o país no início do século XVI e que se refugiaram em Amesterdão, Istambul ou Salónica.
publicado por Conceição Janeiro às 10:59

05
Jul 12

 Ficha Técnica:

Adeus, Meninos
Direcção: Louis Malle
Ano: 1987
País: França, Alemanha Ocidental
Género: Drama
Duração: 103 minutos / cor
Título Original: Au Revoir les Enfants
Roteiro: Louis Malle
Produção: Louis Malle
Música: Franz Schubert e Camille Saint-Saens
Direcção de Fotografia: Renato Berta
Desenho de Produção: Willy Holt
Direcção de Arte: Willy Holt
Figurino: Corinne Jorry
Edição: Emmanuelle Castro
Estúdio: Stella Films / MK2 Productions / NEF Filmproduktion / Nouvelles Éditions de Films
Distribuição: Orion Classics
Elenco: Gaspard Manesse, Raphael Fejto, Francine Racette, Stanislas Carré de Malberg, Philippe Morier-Genoud, François Berléand, François Négret, Peter Fitz, Pascal Rivet, Benoît Henriet, Richard Lebouef, Xavier Legrand, Irène Jacob.
Ver o filme no Youtube (clicar em Traduzir e escolher português par a ativar as legendas).


Transcrevemos a interessante análise do filme ADEUS, MENINOS, AU REVOIR LES ENFANTS, disponível em

http://virtualia.blogs.sapo.pt/35794.html

O cinema na sala de aula

A reconstituição do passado através do filme histórico constitui um excelente recurso para o conhecimento e compreensão de um determinado período ou facto histórico, pois permite viver por dentro o ambiente de uma época, o dia-a-dia das populações e o seu quotidiano, os seus problemas, as suas preocupações culturais e religiosas.

Há momentos da história em que a força bruta, a crueldade opressiva, o preconceito e a insensatez dos homens vingam sobre a humanidade, gerando guerras sangrentas e de efeitos irreversíveis.

Adeus, Meninos (Au Revoir les Enfants), escrito, produzido e dirigido por Louis Malle, é um filme que com sensibilidade expressiva, mostra um desses momentos negros da história, a Segunda Guerra Mundial.

Filme de 1987, Adeus, Meninos é o retrato de uma França ocupada pelos nazis, dividida entre os que resistiam à ocupação e os que a aceitavam passivamente, até colaborando com os invasores, delatando e denunciando vizinhos, amigos e patriotas.
No meio do preconceito gerado pela insanidade nazi, esteve a perseguição e o extermínio do povo judeu. O filme de Louis Malle traz uma história delineada em factos reais, vividos pelo director aos 12 anos, quando ele estudava num colégio carmelita perto de Fontainebleau. Traz a Segunda Guerra Mundial como pano de fundo, mas o cenário é um colégio católico, internato de crianças ricas francesas. A amizade de Julien Quentin (Gaspard Manesse) e Jean Bonnet (Raphael Fejto), o primeiro, um menino cristão de família rica, o segundo um menino judeu refugiado no colégio para fugir à perseguição nazi, comove pela sua ingenuidade juvenil, sincera diante de tempos de preconceito e obscuridade. O perigo é iminente, mas a amizade de ambos suaviza o fantasma devastador da guerra. Mesmo diante da tragédia que se instalará a qualquer momento, há tempo para a descoberta da amizade, da adolescência que assim como os nazis, está à porta, da intelectualidade da vida, das diferenças culturais e, principalmente, do grande amor fraterno que une as pessoas em momentos de penúria e perigo. Mesmo diante de uma temática com um fim pungente, Louis Malle constrói uma história forte e lírica, com uma sensibilidade ímpar e delicada, sem em momento algum se prostrar diante do melodrama, sem recorrer ao sentimentalismo óbvio, fazendo do filme um dos melhores da década de 1980, e um dos melhores do cinema francês de todos os tempos.
publicado por Conceição Janeiro às 11:01

22
Mai 12
 

 


publicado por Conceição Janeiro às 14:11

11
Mar 12

 

'Tudo se ilumina', de J. S. Foer, é o que não se espera de um livro sobre o Holocausto - leve, divertido, inventivo e moderno. Na verdade, só é possível perceber que esse é o tema central do romance quando já se está perto do seu final. O jovem escritor é judeu e sempre quis saber detalhes da história de seu avô, um ucraniano que teve toda a sua família assassinada pelos nazistas e só escapou da morte graças à ajuda de uma certa Augustine, que o teria escondido dos alemães. Obcecado pela origem de sua família, o rapaz foi à Ucrânia tentar descobrir o paradeiro daquela mulher. Ele não tinha informação alguma para lhe servir de guia, sabia apenas que seu avô era de Trachimbrod, uma pequena aldeia judaica. Fora isso, ele contava com uma fotografia antiga que supostamente mostrava Augustine e seus parentes. A ideia de Safran Foer era voltar da Ucrânia e escrever um livro de não-ficção sobre seu avô. Entretanto, a viagem não lhe rendeu as respostas que ele desejava. Foi quando ele teve a ideia de misturar ficção e realidade num único livro, preenchendo as lacunas de sua viagem e da história de sua família com fatos inventados. O resultado é 'Tudo se ilumina', um romance construído sobre três narrativas completamente diferentes, que seguem paralelas e entremeadas. Alguns capítulos mostram Jonathan Safran Foer, personagem fictício homónimo do autor, em sua viagem à Ucrânia em busca de Augustine. Outros capítulos são páginas do livro de não-ficção escrito pelo personagem, contando a história de sua família desde o nascimento da aldeia Trachimbrod, no século XVII, até sua viagem de pesquisa ao local. A terceira narrativa é composta por cartas de Alexander Perchov, em que ele comenta o que já leu do tal livro, dá dicas ao autor e relembra os momentos que passaram juntos.

Fonte: O Livreiro 

Ler aqui outra opinião sobre o livro.

publicado por Conceição Janeiro às 17:10
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 O filme Everything Is Illuminated ("Está tudo iluminado" ou, na versão brasileira "Uma vida iluminada"), realizado por Liev Schreiber, em 2005, é baseado no romance "Tudo se ilumina", que aborda o tema do Holocausto, na Ucrânia ocupada pelos nazis durante a 2.ª guerra mundial.

Trancrevemos a excelente análise de Passado/Presente sobre este filme:

"Everything is Illuminated é um filme que quase não espanta. Simples, metódico, colorido. O espanto vem depois, no fim e apenas quando nos apercebemos que todas as respostas ficam dadas sem ter sido necessário fazer-lhe as perguntas. Além da banda-sonora, étnica, folclórica e meditativa, assinada por Paul Cantelon, autor de bandas-sonoras de filmes como Kill your Darlings (2006) ou Issaquena (2002), é o desenraizamento dos alicerces que presidem à construção da matéria romanesca, o pressuposto de onde se parte que acaba por surpreender. O enredo, nada complexo mas eficaz, intenso e extraordinário, baseado no romance de Jonathan Safran Foer com o mesmo nome, resulta numa performance de loucos disfarçados, afoitos e incendiários do próprio destino porque inconscientemente comprometidos com a regulação do papel da memória nas respectivas vidas.

 O contexto histórico emergente é o do rescaldo de uma Segunda Guerra Mundial perspectivada essencialmente a partir daquela que foi uma das suas mais complexas e discutíveis causas propulsoras: a mitologia racista dos judeus enquanto raça inferior e perniciosa. Tributário portanto da longa história do anti-semitismo na sua vertente mais extrema e hedionda, Everything is Illuminated entretém-se depois, ou entretanto, num enquadramento espacial que não acontece ao acaso porque sincronizado com o que acima ficou exposto, que se transcende e se substancializa numa Ucrânia que se perfila através de edifícios decrépitos e abandonados, ruas vagamente vazias, silêncios e espaços preenchidos pela incontornável memória de uma guerra ainda latente.

 Apesar, assim, do enredo se oferecer essencialmente ao meio milhão de judeus ucranianos dizimados durante a ocupação alemã, trata-se igualmente de reaver, explicando, e através da restauração de determinadas memórias entretanto extraviadas, o presente de um país gravemente afectado pela desordem do passado. No entanto, e em simultâneo, a recuperação da Segunda Guerra Mundial conflui maquinalmente na evocação do Holocausto, seu cemitério e tentativa de esquecimento. A singularidade, a firmeza e a habilidade do argumento residirão assim na perspectiva através da qual são filtradas todas as premissas e que é a de que a tentativa gorada, porque contrafeita e ilegítima, contém em si o efeito perverso do reforço contínuo e acrescido. Esta mesma tese de envolvimento programático entre passado e presente materializar-se-á, além de tudo, no enredo propriamente dito, constituindo uma espécie de eco do contexto assinalado pelo ambiente em que se movem as personagens. Senão vejamos.

 Liev Schreiber, o realizador e argumentista deste filme de 2005, assina a história de Jonathan Safran Foer, personagem interpretada por Elijah Wood, judeu, «coleccionador de coisas», isto é, de objectos vulgares (que deslocados do seu contexto comum, deixam de o ser), e que parte para a Ucrânia à procura de soluções para as incertezas que tem relativamente ao passado da sua família. Augustine e Trachimbrod constituem as únicas pistas de que o protagonista dispõe e o ponto de partida através do qual procurará as respostas que lhe são exigidas por uma imaginação curiosa e atarantada. À procura portanto do seu passado e da história da sua vida, e mais concretamente da rapariga que salvou a vida do seu avô durante a Segunda Guerra Mundial, Jonathan conta com a ajuda da Odessa Heritage Tour, empresa contratada pelo próprio e especialista na reconstituição das origens dos judeus que perderam o rasto das suas famílias durante a guerra. A empresa é toda ela constituída por elementos da família Perchov, e mais concretamente pelo avô, um faz-de-conta-que-é-cego, delirante e em pleno processo de ruptura com tudo e todos os que o rodeiam mas, acima de tudo, consigo próprio; o neto, o tradutor e um fã devoto do american way of life, e finalmente o cão, mentalmente perturbado, de seu nome Sammy Davis Júnior Jr., o guia do avô e, afinal, de toda a companhia.

 A jornada pelo coração da Ucrânia, a pretexto de encontrar Augustine e Trachimbrod, acabará, no entanto, por se transformar num exercício de catarse provocado pelos sucessivos reencontros com tempos, espaços e memoriais metafóricos que cada uma das personagens acabará por viver. Além disso, a viagem constituirá uma espécie de processo acusador de raízes, espelho refractário de uma memória insidiosamente marginalizada pelos mais diversos motivos, situação que encontrará no avô o seu exemplo mais paradigmático. No caso de Jonathan, o encontro com a irmã de Augustine, única sobrevivente da família, e o confronto com a dissolução da intriga permitirá a recuperação de uma identidade até aí subsidiária de um imaginário hesitante, ancorado numa necessidade paradoxal de recolher e reunir objectos (batatas, areia de um rio, etc.), uma obsessão que acusa a necessidade e a tentativa de gerar e perpetuar memórias e momentos irreversivelmente assimilados por um presente urgente não reconciliado com o passado.

 No que ao avô Perchov diz respeito, afinal muito mais do que mero motorista da carripana da Odessa Heritage Tours, a jornada acabará por converter-se na reconstituição de um pungente enredo que é o da história das suas próprias origens. A recuperação sucessiva de alguns lugares, trilhos até aí camuflados silenciosamente sob o signo do pudor e de uma auto-mortificação devassa, acaba por se transformar no restabelecimento espontâneo de um passado voluntariamente enterrado e menosprezado. Afinal, a hipersensibilidade e o desprezo declarado que vota aos judeus desde o início do filme mais não é do que um suspeito mecanismo de auto-protecção e de recusa de uma identidade que é, afinal e dolorosamente, a sua. Acto contínuo, para Alexander Perchov, o neto, a viagem constituirá também assim uma oportunidade de reconciliação, ainda que em abstracto, com o avô com quem até então mantinha uma relação de deriva e desajustamento motivado pela ausência de identidade do próprio.

 Porque em articulação permanente com as motivações de raiz, o alcance e a profundidade das questões em causa acabarão por extravasar o âmbito restrito das personagens. O contexto a partir do qual emerge cada uma destas narrativas pessoais impõe-se então como pano de fundo mas sobretudo como provimento da matéria narrada, através do que se convoca a recuperação da memória histórica de um país ainda em estado de comoção, perplexo e subvertido pelos efeitos devastadores de uma guerra absurda.

 Muito mais do que mero entretenimento, portanto, embora também o faça (como estratégia de equilíbrio num filme cuja temática seria, à partida, densa), Everything is Illuminated apresenta-se assim como advertência em andamento, corolário permanente e depósito de um conjunto de ponderações axiais, estruturantes e, por isso, sustento e antecipação de toda a acção fílmica. Entre elas: a exploração excêntrica de uma simbologia da viagem como destino metafórico no tempo e no espaço, o passado e a memória como entreposto gerador de identidade e a imposição arrebatada mas consequente de uma concepção do presente como compromisso libertador encomendado pelo passado.

 * Monumento erguido em memória dos 1024 cidadãos mortos pelas mãos do nazismo alemão em 18 de Março de 1942 cujo nome é inspirado na pequena aldeia judaica de Trochenbrod, outrora situada perto de Lutsk, na Ucrânia ocidental, e completamente destruída pelos nazis em 1942."

publicado por Conceição Janeiro às 16:46
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