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GOSTAS DE HISTÓRIA?

Apontamentos e reflexões sobre temas históricos do passado ao presente...

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Apontamentos e reflexões sobre temas históricos do passado ao presente...

Filme "Adeus meninos", de Louis Malle

05.07.12

 Ficha Técnica:

Adeus, Meninos
Direcção: Louis Malle
Ano: 1987
País: França, Alemanha Ocidental
Género: Drama
Duração: 103 minutos / cor
Título Original: Au Revoir les Enfants
Roteiro: Louis Malle
Produção: Louis Malle
Música: Franz Schubert e Camille Saint-Saens
Direcção de Fotografia: Renato Berta
Desenho de Produção: Willy Holt
Direcção de Arte: Willy Holt
Figurino: Corinne Jorry
Edição: Emmanuelle Castro
Estúdio: Stella Films / MK2 Productions / NEF Filmproduktion / Nouvelles Éditions de Films
Distribuição: Orion Classics
Elenco: Gaspard Manesse, Raphael Fejto, Francine Racette, Stanislas Carré de Malberg, Philippe Morier-Genoud, François Berléand, François Négret, Peter Fitz, Pascal Rivet, Benoît Henriet, Richard Lebouef, Xavier Legrand, Irène Jacob.
Ver o filme no Youtube (clicar em Traduzir e escolher português par a ativar as legendas).


Transcrevemos a interessante análise do filme ADEUS, MENINOS, AU REVOIR LES ENFANTS, disponível em

http://virtualia.blogs.sapo.pt/35794.html

O cinema na sala de aula

A reconstituição do passado através do filme histórico constitui um excelente recurso para o conhecimento e compreensão de um determinado período ou facto histórico, pois permite viver por dentro o ambiente de uma época, o dia-a-dia das populações e o seu quotidiano, os seus problemas, as suas preocupações culturais e religiosas.

Há momentos da história em que a força bruta, a crueldade opressiva, o preconceito e a insensatez dos homens vingam sobre a humanidade, gerando guerras sangrentas e de efeitos irreversíveis.

Adeus, Meninos (Au Revoir les Enfants), escrito, produzido e dirigido por Louis Malle, é um filme que com sensibilidade expressiva, mostra um desses momentos negros da história, a Segunda Guerra Mundial.

Filme de 1987, Adeus, Meninos é o retrato de uma França ocupada pelos nazis, dividida entre os que resistiam à ocupação e os que a aceitavam passivamente, até colaborando com os invasores, delatando e denunciando vizinhos, amigos e patriotas.
No meio do preconceito gerado pela insanidade nazi, esteve a perseguição e o extermínio do povo judeu. O filme de Louis Malle traz uma história delineada em factos reais, vividos pelo director aos 12 anos, quando ele estudava num colégio carmelita perto de Fontainebleau. Traz a Segunda Guerra Mundial como pano de fundo, mas o cenário é um colégio católico, internato de crianças ricas francesas. A amizade de Julien Quentin (Gaspard Manesse) e Jean Bonnet (Raphael Fejto), o primeiro, um menino cristão de família rica, o segundo um menino judeu refugiado no colégio para fugir à perseguição nazi, comove pela sua ingenuidade juvenil, sincera diante de tempos de preconceito e obscuridade. O perigo é iminente, mas a amizade de ambos suaviza o fantasma devastador da guerra. Mesmo diante da tragédia que se instalará a qualquer momento, há tempo para a descoberta da amizade, da adolescência que assim como os nazis, está à porta, da intelectualidade da vida, das diferenças culturais e, principalmente, do grande amor fraterno que une as pessoas em momentos de penúria e perigo. Mesmo diante de uma temática com um fim pungente, Louis Malle constrói uma história forte e lírica, com uma sensibilidade ímpar e delicada, sem em momento algum se prostrar diante do melodrama, sem recorrer ao sentimentalismo óbvio, fazendo do filme um dos melhores da década de 1980, e um dos melhores do cinema francês de todos os tempos.