Apontamentos e reflexões sobre temas históricos do passado ao presente...

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Avelino Cunhal, Homens no mar, 1953, óleo s/ contraplacado, colecção MNR.

Avelino Cunhal apresenta-nos nesta obra um intenso dramatismo. A obliquidade do mastro de um barco, que apenas se adivinha, ocupa, não somente a centralidade física do quadro, mas é sentida como cerne da obra plástica, quase constituindo a salvação da vida de todos os homens, embora só um deles o abrace de facto. A tensão muscular dos braços que empunham remos e cabos, demonstra a força física que a faina marítima exigia. O contorno negro das figuras, recurso formal não apenas deste artista, mas de outros neo-realistas, contribui para o acentuar dessa expressão emocional e da implícita afirmação social que se queria marcar.
De composição muito dinâmica, com variadas linhas de força, e para a qual concorre a quase ausência de linhas horizontais ou verticais, a acção manifesta-se igualmente na orientação diferenciada dos rostos, na expressividade das faces e dos olhares, na curvatura dos corpos em retesada força e num suave claro-escuro das manchas entre os contornos escuros.
Esta pintura que esteve na 8ª Exposição Geral de Artes Plásticas, na SNBA em 1954, pode ser considerada como que um hino às relações entre o homem e o mar, a uma luta que pode ser de sobrevivência em sentido mais lato, porque não é apenas de trabalho que se trata mas da vida. [L.D.S.]
in Arte do Povo pelo Povo e para o Povo, Catálogo da Exposição, 2007

Fonte: Museu do Neorrealismo

 

publicado por Conceição Janeiro às 17:13

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